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Brasília,14/03/2026

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    A discriminação e a realidade do uso do hijab

    "Eu me sinto mais livre, eu me sinto mais bonita."

    De acordo com a Federação das Associações Mulçumanas no Brasil (Fambras) a nossa nação possui uma população mulçumana entre 800 mil e 1,5 milhões de pessoas, ou menos de um porcento da população. Fazendo parte de uma parcela tão pequena do público, os muçulmanos são sujeitos a constantes casos de intolerância religiosa. Esse número é ainda mais pronunciado para as mulheres que escolhem usar as vestimentas islâmicas.

    Para Maria, revertida ao islã à cinco anos, a escolha de usar o hijab se torna complicada devido à ignorância e ao estigma que o véu carrega em nossa sociedade. Comentários preconceituosos são um acontecimento comum "ainda mais nesse período de guerra", afirma Maria. Ela opta, então, por apenas usar o hijab na mesquita e em eventos de congregação islâmicos. O islã a alcançou em uma difícil etapa de sua vida, e tem sido uma grande fonte de paz e conforto desde então, para ela, o hijab é uma extensão disso, uma forma de demonstrar a sua adoração à Alláh.

    O hijab, diferente do que muitos imaginam, é apenas uma das diferentes espécies de vestimentas islâmicas, este cobre o cabelo, orelhas e pescoço. Já Zahra, revertida a um ano, escolheu o niqab, véu que cobre o rosto deixando apenas os olhos expostos. Devido a preocupação de ataques, verbais assim como físicos, o uso do traje se torna um ato de coragem, diz ela. Assim como Maria, Zahra não usa a vestimenta com muita frequência, poiso véu sempre chama olhares e comentários fundados na ignorância. A sua experiência com o islã, entretanto, tem sido muito positiva, e o uso de seu niqab serve como exemplo disso. "Eu me sinto mais livre, eu me sinto mais bonita, eu me sinto mais próxima de Deus, eu me sinto mais tranquila.".

    Fátima Ibrahim, nascida na Síria, e residente no Brasil a oito anos, explica outros aspectos das vestimentas islâmicas, "É uma vestimenta do ambiente", pois no oriente médio com o ambiente arenoso e clima quente, esses trajes apresentam um propósito utilitário também. Além disso, a veste serve para identificar outros seguidores do profeta. "A religião é o comportamento e como você trata os outros", "não existe uma pessoa intermediária", Fátima utiliza desses argumentos para reafirmar a liberdade individual para escolha dessas vestes. "O problema surge quando a política entra no meio [da religião]".

    Essa tópico trás à tona as revoltas acontecendo em outras regiões do mundo, como por exemplo, os protestos contra o uso do hijab no irã. A frase de Fátima sintetiza bem esse assunto, pois o uso de vestimentas islâmicas sendo imposto como obrigatório, vai contra o senso de liberdade religiosa e de expressão, tornando uma ferramenta de fé em uma de opressão. "Passou a ser uma forma de protestar contra a mão pesada do Estado em diversas questões", argumenta Isabelle de Castro, do Instituto da Cultura Árabe, doutora em História Social e mestre em Estudos Árabes, em um entrevista a Band.




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